Complot

Este blogue nada tem de original. Fala de assuntos diversos como a política nacional ou internacional. Levanta questões sobre a sociedade moderna. No entanto, pelo seu título - Complot -, algo está submerso, mensagens codificadas que se encontram no meio de inocentes textos. Eis o desafio do século: descobri-las...

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Localização: Praia da Vitória, Terceira, Portugal

segunda-feira, abril 30, 2007

O islamismo da Turquia

Notícias muito preocupantes que vêm do lado oriental da Europa. Uma Turquia com um governo islâmico na União Europeia é absolutamente inconcebível. Muitos turcos não o querem e já manifestaram o seu repúdio. A U.E. tem obrigação de lhes dar todo apoio para que não aconteça.
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Turismo de imitação


Esta semana, a Terceira inaugurou uma nova rota aérea com a Holanda. Momento de júbilo para as autoridades regionais e para os empresários locais ligados aos sectores do turismo e diversão. No entanto, no meio desta alegria, há sempre vozes dissonantes nas quais me incluo. Há tempos, escrevi que a Terceira limitava-se a querer o que São Miguel tinha. Pelos vistos, esta ideia persiste e agora já se alargou para a estratégia de captação de turistas. Mais uma esmola do governo para calar os terceirenses.



Não é que a ilha não tenha condições para os receber. Aliás, a cidade de Angra oferece um potencial diferente, visto estar integrada na lista das cidades patrimónios mundiais da UNESCO. Mas que estes turistas não vêm na melhor altura, lá temos de o reconhecer. A cidade encontra-se votada ao abandono, como o foi reconhecido por várias personalidades ligadas à requalificação urbana. Mesmo não tendo nenhuma qualificação na área, é fácil andar pelas ruas de Angra e observar uma degradação visível a olho nu, que entristece qualquer cidadão atento. Não há dinheiro dizem os responsáveis da câmara. Disso não há dúvidas. Mas deve haver prioridades. Pelo menos, a manutenção dos espaços e monumentos deve ser encarada como prioridade número um. E a outra deve incidir sobre uma maior pressão junto do governo regional para que este apoie Angra com mais veemência. Sem sombra de qualquer dúvida, o potencial paisagístico da ilha é bastante reduzido se comparado com outras ilhas do arquipélago. O que importa então é a diferença que a Terceira pode fazer. Os aspectos culturais e históricos são as mais-valias que devem ser exploradas ao máximo.



A estratégia do actual governo tem pontos muito positivos. Como nos governos de Mota Amaral se partia do nada em termos de perspectiva para o desenvolvimento turístico dos Açores, não foi difícil para Carlos César obter vitórias importantes nessa vertente económica. No entanto, este tipo de progresso delineado é desigual e até prejudicial para as ilhas mais pequenas. A aposta no turismo vai sobretudo para a ilha de São Miguel. Não é totalmente errado. Porém, verifica-se que a ilha verde tem concentrado para si muitas das características culturais e tradicionais de outras ilhas, fazendo parecer aos turistas que o resto do arquipélago não interessa ou até é despovoado. A melhor forma para conhecer os Açores e ter uma verdadeira noção do que significa insularidade é no chamado triângulo do grupo central. Aqui, a culpa não pode recair toda no governo. As associações empresarias e as câmaras municipais das ilhas do Faial, Pico e São Jorge pecam por não ter uma perspectiva única e mais ambiciosa em termos de captação de turistas. Criar roteiros turísticos com duração entre 8 a 10 dias com visitas às três ilhas e com a exploração do potencial de cada uma delas daria umas férias de sonho para qualquer pessoa, adaptando sempre os programas às possibilidades económicas dos visitantes. O verdadeiro Whale Watching situa-se no triângulo. Todavia, os empresários micaelenses não dão hipóteses e apoderam-se do melhor das outras ilhas adaptando-o para a sua. Talvez tenha chegado o momento dos empresários das outras ilhas fazerem o mesmo, senão em breve haverá touradas nas redondezas de Ponta Delgada! Não é que seja mau, mas de falsificações estamos nós fartos.


Então, se tudo é para São Miguel como conseguir fazer a diferença? As câmaras municipais e agências de viagens gastam muito dinheiro em feiras nacionais e internacionais de turismo. Provavelmente, o melhor será o de promover as outras ilhas também nos hotéis e nas delegações de turismo de São Miguel. Os turistas têm o direito de saber que este é o arquipélago dos Açores e não de São Miguel.



PS – Para os mais incautos: como estão os estudos acerca da viabilidade ou não da rota entre a Terceira e o Porto? Esta ilha parece-se cada vez mais com Cuba; é mais fácil vir do estrangeiro para cá do que os seus residentes saírem.

segunda-feira, abril 23, 2007

César e os tiques de imperador


O Tribunal Constitucional considerou o diploma sobre as precedências protocolares inconstitucional. Esta decisão acabou por ser o centro de todas as atenções do debate na Assembleia Legislativa Regional. Num primeiro momento, a oposição aproveitou o facto para criticar directamente Carlos César por se ter deixar levar pela ânsia de poder. No dia seguinte, já todos os partidos com assento parlamentar criticavam o Tribunal Constitucional por se ter imiscuído na competência legislativa regional. Este tipo de comportamento reivindicativo da autonomia era típica da Madeira e protagonizado por Alberto João Jardim. No entanto, parece que agora chegou aos Açores.



Primeiro, esta questão é uma minudência comparada com outros assuntos que dizem respeito a todos os açorianos. Segundo, o Tribunal Constitucional vela pelo respeito pela Constituição Portuguesa. E, que se saiba, os Açores ainda pertencem a Portugal. Não se trata, como dizem alguns, de uma perspectiva centralista. Trata-se sim do respeito pela mãe das leis, pela unidade nacional. A aprovação da lei é que poderia abrir precedentes graves. O erro vem de trás, da tentativa do governo regional em querer obter mais poderes do que os actuais. Ainda para mais, segundo a proposta, a figura do presidente do governo passava em certas cerimónias acima da do presidente da Assembleia Regional. Disfarçadamente, como o PSD Açores defendeu no princípio, esta medida visava elevar ainda mais o estatuto de Presidente do Governo Regional. Na Madeira, isto seria considerado como sendo mais um tique do ditador. No caso açoriano, fazendo jus à História, bem se pode falar em tique de imperador.



Acusar o Tribunal Constitucional de centralismo é por isso desmedido. Onde há centralismo por parte do continente é nas finanças. Carlos César já demonstrou que quando as coisas não lhe correm de feição ataca, responsabiliza os outros, chegando ao ponto de indirectamente chamar traidores aos deputados da oposição. Segundo o seu prisma, só ele quer o bem dos açorianos e os outros estão em conluio com o continente para o mal da região. Repito: não estou a falar do presidente da Madeira, falo de Carlos César. Mais uma vez, o poder embriaga. No entretanto, as dúvidas do PSD sobre os gastos com o pessoal próximo do governo ficaram por esclarecer.



Perante as constantes reclamações vindas das regiões autónomas, alguns ilustres defenderam que às tantas seria melhor dar a independência aos arquipélagos para ao menos deixarem de incomodar e de sugar o dinheiro dos contribuintes continentais. Não passando de um absurdo, é importante reconhecer que quando se olha para a Madeira a partir do continente tem-se respeito, pois é uma região que soube canalizar os apoios que auferiu. Para os Açores, ainda se olha com pena; a imagem que veicula é mesmo essa, a de uma região cujo povo sofre por causa da natureza, por causa do fado da vida. Às tantas, dá jeito porque os subsídios continuam a chegar. Carlos César é e será uma grande figura da história política açoriana. Não precisa de presidir cerimónias oficiais para que as pessoas reparem nele. A sua verdadeira preocupação e de todo o PS deve ser a dos dados comparativos de desenvolvimento com outras regiões do país e da União Europeia. O bem-estar e o progresso dos Açores devem ser a prioridade. E sobre isso há ainda muito por fazer.



É indiscutível que a região está muito mais desenvolvida comparando com anos ou séculos atrás. No entanto, isto deveu-se praticamente a um governo demasiado “paternalista” e protector. O vício está criado. Prova disso é a taxa de açorianos que vivem do rendimento mínimo. Quando se pretendia que o apoio fosse temporário, este tornou-se permanente e inegociável. A actual política económica aposta no turismo, ainda não se percebeu de que tipo. Muitos hotéis são construídos de raiz. Não há dúvidas de que são precisos, mas o turismo não vive só de passeios e de paisagens. Os Açores têm uma história que deve ser potencializada. E, por exemplo, Angra do Heroísmo representa esse passado rico e heróico dos Açores e de Portugal.



No passado dia 18, dia Mundial dos Monumentos e dos Sítios, teria sido melhor se o governo falasse do património histórico em vez de discutir as cadeiras na primeira fila.

sexta-feira, abril 20, 2007

Pina Moura e a TVI


A entrada de Pina Moura para a administração da Media Capital (detentora da TVI) não deve ser vista como um golpe do governo para controlar um canal importante da comunicação social.




Já Guilherme de Oliveira Martins levantara celeuma aquando da sua nomeação para Presidente do Tribunal de Contas. Verificou-se posteriormente que ele é bastante independente e que até já causou incómodo nos socialistas por ter apresentado dados que comprometiam as políticas de Sócrates. Por isso, até se pode esperar o mesmo do ex-ministro das finanças de Guterres.



No entanto, sendo a Media Capital uma empresa privada, os seus acconistas fazem o que bem entenderem. Mesmo que seja o de apoiar declaradamente o governo. Como é óbvio, não acontecerá porque a TVI abarca todo o tipo de público. O lucro é quem mais ordena!


Mais uma infelicidade do PSD

segunda-feira, abril 16, 2007

Beijos da Rússia

Os últimos tumultos deste fim de semana em São Petersburgo mostram que Putin está a tornar-se um ditador. O uso da repressão para calar a oposição e a liberdade de opinião são um claro sinal de que a democracia está a falhar.
Resta à comunidade internacional ficar atenta e pressionar o governo russo para que pare com esta nova vaga de totalitarismo.
Os ricos da Rússia que preferem viver nas cidades cosmopolitas e livres da Europa vão calar-se porque provavelmente até lhes dá jeito.
Ver artigo aqui

domingo, abril 15, 2007

onde pára Bin Laden?


Os anos vão passando, a memória esvai-se mas as perguntas continuam ainda por responder: onde pára Bin Laden? Estará ele vivo? Qual a importância que ainda tem na al-Qaeda? Desde os atentados de 11 de Setembro que os Estados Unidos se encontram numa guerra sem precedentes contra o terrorismo de carácter islâmico.



À primeira vista, esta guerra corre mal. O Iraque encontra-se num impasse que parece impossível de resolver. Quando a administração americana pensava e fez pensar ao resto do mundo que Saddam Hussein mantinha conexões com a rede terrorista, verifica-se agora que foi um erro tremendo. Com a insurreição de muitas facções políticas e religiosas dentro do país, a al-Qaeda encontrou um novo terreno para recrutar voluntários ou simpatizantes e uma legitimidade mais forte no seio daqueles que sempre duvidaram do propósito dos americanos. Sair de lá não é só imoral como perigoso, mas ao mesmo tempo ficar por lá aumenta o número de baixas americanas, diminuindo o seu poder bélico de persuasão. A presença ou ausência das tropas em solo iraquiano não parece fazer diferença: a guerra civil começou e o sofrimento das pessoas não tem fim à vista. A paciência dos cidadãos americanos e do resto do mundo esgotou-se. Entretanto, o grupo terrorista cresceu e desde 2001 já perpetrou diversos atentados um pouco por todos os continentes.




Na altura, a organização tinha uma hierarquia definida. A prioridade era o de capturar Bin Laden e seus séquitos. O Afeganistão tinha sido uma aposta da ONU com vista ao fim do domínio dos talibãs e à sua democratização. Todos acreditavam que assim o problema estaria resolvido. De facto, a era dos talibãs acabou. Porém, a era da anarquia disfarçada começou. O actual governo afegão nada consegue fazer, mesmo com o apoio das tropas internacionais. As principais figuras da rede terrorista desapareceram nas montanhas. Muitos dos antigos chefes talibãs, acusados por crimes de guerra, foram eleitos democraticamente, chefiam regiões e, segundo consta, alguns deles estão directamente ligados à nova vaga de produção e venda de ópio. Por causa do Iraque, o Afeganistão deixou de ser a prioridade para uma batalha justa contra aqueles que recusam o nosso mundo. A legitimidade internacional foi-se perdendo.



Não podendo aguentar com o comando de duas guerras, os Estados Unidos perderam a legitimidade moral de que gozavam depois do fim do comunismo russo e o apoio político de muitos aliados. Também provaram que a ignorância é a pior inimiga da Humanidade. Ao invadir o Iraque não pensando no pós-guerra e na reestruturação do país, ajudaram a construir este atoleiro. Sair dele parece impossível e impensável.



Na preparação para as próximas eleições presidenciais americanas, os democratas parecem, até agora, ser os próximos vencedores. Os republicanos estão apáticos, mas podem também guardar a última cartada para mais tarde. Relativamente à política externa, os democratas têm uma óptica diferente da do actual governo, uma mais conciliadora. Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Representantes e democrata, fez um périplo pelo Médio Oriente, que culminou com a visita ao presidente sírio, Bachar al-Assad. Claro que esta deslocação foi muito mal encarada pelo presidente George W Bush. Contudo, esta iniciativa é um claro sinal ao mundo de que os democratas querem ter uma acção política oposta àquela que foi seguida até agora pela administração republicana. O regresso ao soft power será o mote que poderá dar novas esperanças a um mundo que ficou bem mais perigoso.



Contudo, nada de confusões. Ainda não se chegou à fase da negociação com terroristas. Existem pontos que devem voltar a fazer parte das prioridades do governo norte-americano. É essencial o bom entendimento com países limítrofes do Iraque. O Irão representa uma nova ameaça que ganhou mais fôlego com o desaparecimento de Saddam Hussein. E a grande prioridade tem, declaradamente, de ser a captura, ou o anúncio oficial com provas, da morte de Bin Laden. Os anos vão passando e nada se sabe. Alguns esperam pela sua mensagem por intermédio dos canais televisivos árabes. Aos poucos, a sua figura se torna mítica. Uma espécie de Che Guevara do século XXI que congrega a simpatia e admiração de milhões de pessoas. Se for capturado, não será um mártir; será julgado tal um criminoso. Se for morto, bastará exibir umas imagens dele à comunidade internacional para mostrar que a justiça em qualquer das hipóteses se fez.



Agora, deixar que as pessoas se interroguem eternamente sobre seu paradeiro é o pior sinal que se pode dar ao mundo. Os maiores ídolos são aqueles cujo seu desaparecimento está envolto em mistério.

quinta-feira, abril 12, 2007

Na minha biblioteca


Em homenagem ao grande português.

Não era óbvio?

O Primeiro-Ministro inglês, Tony Blair, reconheceu que foi um erro ter deixado os militares detidos no Irão venderem a sua história aos médias.
Não há dúvidas que quando se está demasiado tempo no poder, perde-se a noção da realidade e do bom senso. Blair provou que o seu tempo está totalmente ultrapassado.
Ver artigo aqui

terça-feira, abril 10, 2007

Dura a vida de militar

A propósito da libertação dos militares ingleses pelo presidente do Irão.
O que me tem custado ouvir ao longo deste dias, incluindo aqueles em que os quinze militares estiveram detidos, é a facilidade com que se esboça um sorriso perante o "inimigo", se diz que ele tem toda a razão, que se pede desculpa, que não se voltará a invadir o seu espaço territorial e que quando se é libertado, sim senhor toca a vender a história do cativeiro à imprensa (tenho cada vez mais respeito pelas prostitutas).
Na verdade, que se f*** a nação inglesa; somos miltares quando é para toturar presos no Iraque e no Afeganistão com armas e as últimas tecnologias militares, mas quando é para provar que se é soldado, meu deus, até o facto de ter um filho em casa serve para se acobardar.
Sempre aprendi que em caso de interrogatório feito pelo inimigo, só se devia dizer o nome e a patente. Mais nada. Claro que é mais fácil falar em frente ao computador do que com uma arma apontada à cara, mas foi por isso que não quis seguir carreira militar.
É preciso rever a forma como se contrata profisionais para as forças armadas. Parece que os castings televisivos são bem mais exigentes.

domingo, abril 08, 2007

Política pura e dura


Esta semana, o país terá parado na expectativa de conhecer as verdadeiras habilitações académicas do Primeiro-ministro. Parece um segredo de Estado que, tal como o segredo de Fátima, terá sido desvendado com toda a pompa e circunstância. Pelos vistos, o futuro de José Sócrates, bem como o de Portugal, dependem de um diploma universitário. Será que o governo e seu chefe não têm mais que fazer em prol da Nação? Ou será que, pelo contrário, num golpe de malevolência política, o governo quer desviar as atenções das pessoas e da oposição relativamente à questão polémica da construção de um novo aeroporto?


A questão do currículo académico de José Sócrates tem de ser clarificada; disso não há dúvidas. Para quem frequentou o curso de engenharia, e pertença à ordem dos engenheiros, bem pode estranhar tamanho secretismo e o amontoado de dúvidas que pairam em relação ao currículo do Primeiro-ministro. Há quem defenda que talvez devesse suspender o mandato até as coisas estarem esclarecidas. Outros defendem que, se facto, faltou à verdade, deveria ser de certa forma castigado. Esta questiúncula, que em nada favorece a imagem dos políticos portugueses no estrangeiro, tem importância porque Portugal sempre gostou de cultivar os títulos académicos, tais como o de Dr. ou de Engenheiro. Já Prado Coelho contara que, numa conferência sobre literatura organizada em França, os membros franceses da organização se espantaram com o número elevado de congressistas portugueses que eram médicos versados em letras. Prado Coelho tivera de lhes explicar que em Portugal qualquer licenciado tem o título de doutor (Dr.), o que em França só se dá aos médicos (docteur). É o nosso provincianismo que também nos impede de tratar uns aos outros por você.


Se fôssemos rigorosos e, consequentemente, inflexíveis, José Sócrates já teria faltado à verdade quando aumentou os impostos, ao invés do que prometera em campanha eleitoral. E esta medida é que prejudica os portugueses e não o facto de ele ser ou não engenheiro. Mas a política pura e dura vive destes momentos, de jogadas de bastidores, das quezílias partidárias transformadas em novelas, mas que em pouco beneficiam o país. Não percebo a razão desta questão não ter sido clarificada logo no primeiro momento. Sócrates, que é conhecido por ser muito calculista, terá mesmo falhado? Terá mesmo desprezado – para o seu mal – esta questão que acabou por fazer da semana passada a pior desde que este governo tomou posse?


Uma coisa é certa, mais uma vez os reparos da oposição deixaram de ser assunto tratado na comunicação social com a devida importância que têm. A discussão legítima que se criou à volta do aeroporto da Ota deixou de ser debatida. A baixa de impostos sugerida pelo PSD foi esquecida. Os líderes dos outros partidos têm tido o cuidado de não falar acerca da polémica em volta do diploma de Sócrates para não serem rotulados de oportunistas demagógicos. Bem vistas as coisas, e com pouco de imaginação maquiavélica, poder-se-ia dizer que tudo não passou de uma estratégia do governo para desviar as atenções dos portugueses por forma a deixarem de questionar certas medidas políticas talvez inoportunas.


Em tempos, houve um político que defendeu que não haveria novo aeroporto enquanto houvesse listas de espera para operações médicas. Diria que simplesmente não deve haver aeroporto na Ota enquanto houver dúvidas acerca da sua localização. Depois da polémica em torno de Sócrates acabar, era bom para o país que tratassem das verdadeiras questões que interessam: relançamento da economia, diminuição do desemprego, educação e saúde. Mas não tarda nada, haverá outra polémica com outros protagonistas políticos e outros escândalos. Não fosse Portugal, parafraseando Shakespeare, um palco onde os actores se revezam no protagonismo e nas cenas da vida, neste caso política.

sexta-feira, abril 06, 2007

Regresso ao passado

É interessante notar que nas eleições para as presidenciais americanas e francesas, o contacto visual com as pessoas, o aperto de mão e os passeios de rua representam a novidade em termos de campanha eleitoral. Os candidatos não deixam de usar as novas e velhas tecnologias, no entanto, dá-se primazia à antiga tradição das democracias que é a de confrontar, ouvir e falar com o cidadão anónimo.

terça-feira, abril 03, 2007

O super-herói morreu, mais nada


Morreu porque os seus autores acham que o sonho americano morreu. Muito simbolismo. Mais do que um preceito, o american dream é uma filosofia de vida.

segunda-feira, abril 02, 2007

Na minha biblioteca


Os Açores e IIª Guerra Mundial

As actas compiladas em livro pelo IAC são um belíssimo testemunho histórico da importância geoestratégica do arquipélago no Atlântico aquando da guerra contra os nazis.

domingo, abril 01, 2007

Sobre a imigração


Por que será que, quando o partido de extrema-direita portuguesa colocou um out-door em Lisboa a mandar os imigrantes embora, muita gente se indignou, mas intimamente até concordou? Há ou não uma relação entre esse fait divers e o facto de Salazar ter ganho postumamente num concurso televisivo? Por que será que cada vez que os governos tomam iniciativas para integrar imigrantes no país de acolhimento, os actos racistas e xenófobas não diminuem mas, antes pelo contrário, aumentam? Esta crónica podia ser uma enumeração infindável de perguntas sobre o tema da imigração e integração dos imigrantes. Este tema é delicado e, infelizmente, existe uma forte pressão do politicamente correcto que impede os políticos e responsáveis pela área de serem totalmente sinceros e independentes nos seus discursos. Afinal, a imigração é positiva ou não para Portugal?


O nosso país tem a particularidade de ter um passado recente de emigração. Poucas são as famílias portuguesas que não tenham um próximo que se encontre num país estrangeiro a fazer a sua vida. Há poucos anos que Portugal passou também a receber estrangeiros de vários continentes. Pode ser encarado como um sinal de progresso, pois os portugueses deixaram de prestar certos serviços considerados penosos ou desinteressantes que são desempenhados pelos tais imigrantes. No entanto, o país encontra-se em crise: a taxa de desemprego é alta, com poucas saídas profissionais para os jovens, empregos precários e cujos ordenados são ainda baixos para o estilo de vida que o português pretende. Nas grandes metrópoles do país, a insegurança cresce com a criminalidade violenta a aumentar perigosamente. Estes factores misturados são uma autêntica receita explosiva para o descontentamento dos cidadãos, daí o surgimento de um partido xenófobo no panorama político. Não havendo alterações significativas na forma como o Estado trata os seus cidadãos e imigrantes, não será de estranhar que o "fenómeno Le Pen" chegue a Portugal.


Quando estamos mal, sentimos a necessidade de culpar alguém pelos males que nos afrontam. É a natureza humana. Numa situação de desemprego, de crise financeira, de insegurança no bairro, as pessoas voltam-se contra os imigrantes. É o bode expiatório dos males das sociedades modernas. Não quer isto dizer que os imigrantes são todos bons. É preciso saber quais são os que prejudicam o país, isolá-los e exclui-los. Todavia, esta função cabe ao Estado, principalmente o governo. Dito isto e na verdade, a culpa do desemprego, da insegurança e da falta de integração dos imigrantes devem-se a más políticas ou políticas inconsequentes. Mais uma vez, os políticos têm a culpa.


Não há nenhum político, a não ser os de extrema-direita, que sejam sinceros quando falam deste assunto. Por demagogia e medo de perder votos, a maior parte tem um discurso frouxo, do "nim" e do óbvio. Por isso é que, esta semana, o Partido Nacional Renovador obteve uma das suas maiores vitórias desde que foi criado. E, agora para conseguir eleger deputados nacionais em 2009, só lhe falta demarcar-se dos skinheads.


Mais uma vez, será interessante observar o decorrer da campanha presidencial que decorre em França para perceber como os políticos se desdobram e puxam pela imaginação para angariar mais simpatizantes com este tema. Na Europa, toda a tentativa de melting pot como a que acontece nos Estados Unidos é uma tentativa falhada. Por alguma razão, o nosso continente é chamado de velho.