Complot

Este blogue nada tem de original. Fala de assuntos diversos como a política nacional ou internacional. Levanta questões sobre a sociedade moderna. No entanto, pelo seu título - Complot -, algo está submerso, mensagens codificadas que se encontram no meio de inocentes textos. Eis o desafio do século: descobri-las...

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segunda-feira, janeiro 30, 2006

A memória e o sonho

Ultimamente, as expressões “No meu tempo…” ou “Antigamente…” têm sido cada vez mais repetidas pelos portugueses. Apesar de parecerem citações paternalistas e vistas de forma jocosa, elas são um reflexo do estado depressivo em que se encontra o país. Uma nação cujos cidadãos se voltam para o passado numa tentativa vã de reviver alegrias, porque o presente é triste e o futuro é demasiado incerto e obscuro, é um país que está a ditar a sua própria autodestruição.

No século XXI, as pessoas vivem melhor em todos os aspectos. Apesar de o bem-estar ser global, não é, porém, total. Guerras, fome, doenças, crimes, intolerância religiosa e outros males ancestrais continuam a existir e a persistir. Serão estes males genéticos, inerentes do Homem? Não. Se o fossem, o mundo seria um caos e a Humanidade teria sido aniquilada há muito tempo. A História tem demonstrado que as nações têm passado, ao longo do tempo, por momentos cíclicos ora de paz e prosperidade, ora de conflitos e incertezas. No primeiro momento, o sonho e a ambição levam o homem a criar mais riqueza, seja ela de que tipo for, porque a vontade de prolongar a “actual” felicidade para o futuro é o mais importante. No segundo momento, cultiva-se a memória do passado porque o “actual” presente é sombrio e triste. Procura-se então um passado, seja ele recente ou antigo, e adorna-se de forma a recriá-lo. Mais concretamente, os portugueses fazem muitas vezes referência ao período dos Descobrimentos (século XV) como sendo o apogeu de Portugal no domínio do mundo. Contudo, no processo de recontar a História, omitem-se as barbaridades cometidas pelos lusitanos aos povos indígenas das terras descobertas e às populações africanas que foram escravizadas para trabalhar nas novas terras. Mesmo ao referir-se às actividades económicas, omite-se o facto de Portugal não ter ganho muito com o que descobriu, pois endividara-se imenso para realizar as viagens além-mar. Muita mercadoria trazida destinava-se as pagar os créditos facultados por outros países europeus. A forma de reinterpretar a História para alimentar o imaginário das pessoas tem servido para aliviar as suas aflições. O enaltecimento de pessoas ou entidades bem sucedidas que pertencem ao presente é sintomático dessa vontade em permanecer no mundo das memórias e não dos sonhos.

Actualmente, qualquer pai atento à realidade que o circunda considera o mundo mais perigoso do que aquele em o filho nasceu. De forma inconsciente, transmite-lhe sinais de precaução redobrada em relação a tudo, frisando quase, em certos casos, a paranóia. Imagine-se então uma criança da Palestina ou do Iraque. Enquanto que a uma criança ocidental de um país desenvolvido se promete comodismo e facilitismos ao ponto de a tornar pateta, a criança palestiniana ou iraquiana é educada com um único propósito: sobrevivência ou morte. Os líderes extremistas ou religiosos aproveitam o medo e a frustração das pessoas para transmitir a sua mensagem de ódio. Cria-se então dois campos: por um lado, a televisão ou a Internet mostra às crianças o mundo exterior repleto de sonhos. Por outro lado, os seus líderes políticos ou religiosos, com um discurso radical, mostram-lhes um mundo de memórias. Este último lado acaba por vencer porque os tais líderes tratam de subverter o mundo dos sonhos, atribuindo-lhe um sinal de decadência.

Numa entrevista recente dada a um jornal espanhol, o prémio Nobel da literatura, José Saramago, duvida que Portugal ainda exista daqui 50 anos. Fazendo um paralelismo com a antiga Jugoslávia, afirma que o mais normal será a sua anexação a Espanha. Antes de Saramago, já alguns intelectuais portugueses de renome teorizaram da mesma forma. Mais uma vez, a vontade de desistir mostra até que ponto a imaginação é fértil. Se nalguns casos, explodir-se num determinado local pode ser uma solução para acabar com a frustração, noutro caso, pode-se, simplesmente, renegar o sentimento de pertença a um país e à nacionalidade deixando-a ser “engolida” por outra. Mas o mais paradoxal, contrariando toda a visão fatalista do escritor, é que a região da Catalunha esteja, actualmente, em tremendos esforços políticos para que lhe seja concedida mais autonomia, caminhando para uma independência do Estado espanhol. Pode ser paradoxal, mas é perfeitamente normal: a Catalunha e toda a Espanha encontram-se num período de sonhos…

segunda-feira, janeiro 23, 2006

Uma agradável surpresa

Domingo passado, os portugueses presentearam o país com uma agradável surpresa. Elegeram Cavaco Silva para Presidente da República. Na verdade, e sem cinismos, apesar dos discursos dos principais candidatos de Esquerda que apontavam para uma possível segunda volta, o óbvio aconteceu. Mesmo o facto de Manuel Alegre ter ficado à frente de Mário Soares nas votações não constitui uma surpresa, pois as sondagens durante a campanha eleitoral apontavam essa possibilidade. Afinal, como disse Mário Soares: “as sondagens valem o que valem!”; e valeram mesmo. Interessa agora é analisar os resultados e tirar ilações.

Ao contrário do que alguns dirigentes políticos afirmaram, não foi a Esquerda que perdeu as eleições. Cavaco Silva ganhou as eleições porque convenceu o eleitorado de vários quadrantes políticos a votar nele. Dentro da própria Esquerda, houve algumas movimentações de voto. A título de exemplo, houve votantes que ora passaram do Bloco de Esquerda para os socialistas, ora de socialistas para a candidatura pessoal de Manuel Alegre. O eleitorado, que deu maioria absoluta ao partido socialista nas eleições de Fevereiro de 2005, preferiu desta vez proporcionar um equilíbrio de poderes, fazendo assim com que todo o espectro político nacional seja respeitado nas principais instituições democráticas do país: Esquerda no governo, Direita na presidência da república. É um gesto histórico, pois nunca antes acontecera e demonstra um sentido de maturidade democrática apurada. O maior partido de oposição, o PSD, já pode acabar com o “blackout” e fazer oposição como é sua obrigação. Não há dúvidas de que, com os resultados eleitorais, haja uma motivação maior para tal. A Direita precisa de acertar contas com a Esquerda por causa de alguns acontecimentos ocorridos durante estes últimos meses de campanha.

O discurso final de Cavaco Silva – bem como o cenário meticulosamente montado –, sem interrupções para gritos mais adequados para um jogo de futebol, foi elucidativo quanto à forma como vai desempenhar o cargo. A forma altiva e a pose de estado que evidenciou dão aos portugueses um sinal de confiança e de responsabilidade. A expectativa está criada; veremos em breve como Cavaco Silva vai concretizar a sua magistratura.

Quem precisa de fazer uma introspecção rigorosa destas eleições é o Partido Socialista. A divisão do PS por causa dos candidatos Mário Soares e Manuel Alegre feriu gravemente o partido, por mais que os seus principais intervenientes não o reconheçam. O lugar de Secretário-geral não está posto em causa porque José Sócrates é o Primeiro-Ministro com maioria absoluta. Mas a sua liderança dentro do partido encontra-se fragilizada. Os socialistas apoiantes de Manuel Alegre ganham uma voz redobrada no PS que terá de ser ouvida e respeitada em futuras reuniões políticas e no próximo congresso. Porém, alguns socialistas de renome, que apoiaram Manuel Alegre, exageraram a sua exaltação à candidatura inédita que apoiaram. Já que, segundo eles, com estas eleições se provou que os partidos se encontram descredibilizados, o melhor e mais coerente será o de sair do PS para constituir um movimento cívico de fundo.

Mário Soares saiu derrotado e até, em certa medida, humilhado destas eleições. Não está em causa “o dever cívico cumprido”, o que está em causa foi o ter sentido essa necessidade antes de anunciar a sua candidatura, no verão passado. Quando Mário Soares acusou a comunicação social de falta de parcialidade foi, na verdade, um reflexo de que a sua candidatura não tinha sido bem “digerida” pelas pessoas. O ex-presidente da república e o próprio partido socialista sentiram que tinha havido o que eu chamaria de um erro de “casting après la lettre”. O melhor é fazer como se Mário Soares nunca tivesse concorrido às eleições. Isto tudo não terá passado de um equívoco, ficando assim o único registo de um Soares “pai da pátria” na História Contemporânea portuguesa.

Como todos, quer políticos, quer cidadãos, desejam estabilidade temos então três anos meio sem eleições e de muito trabalho para a recuperação económica e financeira do país. Que a cooperação institucional comece.

domingo, janeiro 15, 2006

O Irão e a ameaça nuclear

A comunidade internacional vê com muita preocupação o retomar da actividade nuclear no Irão. Apesar de, segundo as autoridades iranianas, as investigações não terem como objectivo o fabrico de armas nucleares mas sim a produção de energia alternativa ao petróleo, nenhum país, mesmo a Rússia ou a China que têm tido uma relação diplomática especial com o Irão, confia plenamente nas palavras do presidente, Mahmoud Ahmadinejad. Sendo, o Irão, um estado considerado não-alinhado e com um passado bélico, a actuação populista e radical do seu presidente que apela o seu povo ao ódio a Israel e a valores islâmicos de teor fundamentalistas fazem temer o pior numa zona – o Médio-Oriente – já de si muito sensível. Esgotadas quase todas as vias diplomáticas e pacíficas para a resolução a bem deste problema, a possibilidade de uma intervenção militar é cada vez mais encarada.

O debate sobre a energia nuclear voltou à ordem do dia depois dos sucessivos aumentos do barril do petróleo e a crescente necessidade do seu consumo por parte de países emergentes, principalmente a China. Sendo o petróleo, ou melhor dizendo o crude, um combustível fóssil que vem da própria terra e, por isso, limitado, tornou-se imperativo para a Humanidade encontrar formas alternativas de produzir energias. Até em Portugal, um país extremamente dependente de outros países no que diz respeito ao consumo de energias, discute-se a possibilidade de abrir uma central nuclear para diminuir as despesas com o petróleo. Se Portugal abrir uma central nuclear, a comunidade internacional não trará problemas à execução do projecto, logo que sejam seguidos todos os trâmites de segurança. E porquê? Porque somos um país de confiança, tal como a França, a Espanha ou os Estados Unidos que possuem centrais nucleares.

O Irão é o segundo produtor de petróleo mais importante da OPEP. Não se percebe então a sua suposta preocupação em abrir centrais nucleares para produzir energia. E, mesmo que essa preocupação até seja legítima, por que é que as autoridades de Teerão não apostam em energias renováveis? Não se tratando de um país de confiança, a comunidade internacional tem toda a legitimidade para tentar impedir as intenções nucleares iranianas.

Em breve, a ONU irá discutir, em Conselho de Segurança, esta questão. Falta só o apoio da China, da Rússia e da Índia para que tal aconteça, pois para a União Europeia e os Estados Unidos todas as vias negociais fracassaram com o Irão. No entanto, a provável aprovação de sanções por parte da ONU pode tornar-se contraproducente porque haveria uma subida vertiginosa do petróleo. Daí a possibilidade de uma intervenção militar ser cada vez mais considerada.

Desta vez, os Estados Unidos têm mantido um low profile. Consciente de que não tem recursos económicos e militares suficientes e que a sua autoridade moral como árbitro do mundo foi seriamente abalada com a intervenção no Iraque, a Administração de Bush não pode tomar uma nova iniciativa unilateralmente. Este novo desafio é uma forma de reaproximar a Europa e os Estados Unidos. Exemplo disso foi o encontro entre a Chanceler alemã e o Presidente americano que resultou num “novo começo” nas relações entre os dois países. O facto de a União Europeia “chefiar” as ameaças contra o Irão é um indicador positivo de que as relações transatlânticas estão em vias de ser retomadas no seu todo.

Encontrando-se numa expectativa angustiante em relação ao estado de saúde de Ariel Sharon, Israel tem estado à margem deste conflito diplomático. No entanto, é dos países que mais tem a temer com a ameaça nuclear iraniana. Depois da iniciativa unilateral dos Estados Unidos relativamente ao Iraque, não será de estranhar se Israel fizer o mesmo com o Irão. Mas as proporções que esta acção poderia tomar são inimagináveis.

segunda-feira, janeiro 09, 2006

O tabaco e o fast food nas escolas

Em Espanha entrou em vigor, no dia 1 de Janeiro, uma lei que determina a proibição do consumo de tabaco em todos os locais de trabalho, sejam estes do sector público ou do privado. Para além dos referidos locais, a lei contempla, entre vários lugares públicos, recintos desportivos, instituições educativas e até proíbe a venda de tabaco a menores, ou seja, pessoas com menos de 18 anos. Para Portugal nada de novo, pois existe uma lei parecida. No entanto, a lei não é respeitada e vemos cigarros acesos em tudo quanto é sítio – mesmo os proibidos. A fiscalização “deixa andar” irá continuar assim por muito tempo ou terá ela de mudar à força as mentalidades e acabar com o mau vício?

O tabaco é um flagelo social, uma droga legal mas que mata milhares de pessoas todos os anos. É impossível interditar o seu consumo, tais são os poderosos interesses instalados na sua venda e o perigo para as pessoas viciadas na mortífera nicotina, caso esta deixasse de lhes ser fornecida nos actuais parâmetros em vigor no país e no mundo. A juventude é a faixa etária mais susceptível de ser “contaminada”, por razões de ordem psicológicas e sociológicas. E, muitas vezes, a escola serve de “aprendizagem do fumo”, pois é aí que os estudantes se iniciam nesse vício. No entanto, a lei é bem clara e diz que não é permitido fumar em instituições públicas. Mas como as escolas têm espaços exteriores, os Conselhos Executivos (C.E.) e a respectiva tutela “fecham os olhos”. Pelos vistos, assim, o fumo já não incomoda os não-fumadores. Trata-se de uma ideia errada que está generalizada nas escolas portuguesas e nas mentalidades dos estudantes. Não é preciso argumentar a razão do erro, pois se existe a lei é para ser cumprida.
Eis então, nesta crónica, um grito de alarme. Cumpra-se a lei! Proíbe-se, de facto, o consumo de tabaco nas escolas!

Caberá a cada escola, apoiada pelas directivas do Ministério da Educação e das Secretarias Regionais, decidir como o fazer e quais as sanções a aplicar, caso a decisão não seja respeitada por todos os intervenientes, a saber: estudantes, professores e funcionários. É lógico que toda a diplomacia e pedagogia, por parte do C.E., serão necessárias para que todos aceitem tal decisão de forma pacífica. Não se trata de uma guerra contra as pessoas, mas sim contra o tabaco. Deste modo, será importante reunir com as Associações de Estudante para que estas possam incutir no espírito dos colegas a necessidade e obrigatoriedade deste acto.

Para além deste problema, a escola possui outro mais escondido, mas preocupante na mesma. A obesidade nos adolescentes é uma realidade cada vez mais visível. Os Ministérios da Saúde e da Educação estão atentos a esta nova situação. Não existindo ainda medidas concretas para prevenir esta “doença”, as escolas, para além da devida prevenção que pode e deve promover, deveria também dar o exemplo. Isto é, nas ementas das cantinas e no bar, com um apoio de um nutricionista, deve-se ter em conta quais os alimentos imprescindíveis para o crescimento saudável dos alunos e quais aqueles que devem ser retirados do espaço escolar. Actualmente, algumas escolas têm feito uma pequena fortuna com as máquinas distribuidoras de chocolates e bebidas gaseificadas. Nalguns países, como a França, estas máquinas foram retiradas das escolas com muita pena mas total compreensão por parte dos respectivos C.E. Mais cedo ou mais tarde, o Ministério da Educação tomará a mesma iniciativa, por isso, quanto mais depressa se lançar o debate melhor.

O que aqui foi escrito é um mero sinal daquilo que irá acontecer brevemente em Portugal. O facto de haver outros países, nomeadamente a Espanha, a tomarem medidas mais drásticas em relação ao consumo e à venda do tabaco acabará por pressionar Portugal a enveredar pelo mesmo caminho. A mudança de mentalidades deve começar pelos mais novos com o impulso dos mais velhos.

domingo, janeiro 08, 2006

O Egosistema

2005 ficará na memória - até agora - como o ano dos grandes desastres naturais que a Humanidade enfrentou nos últimos séculos. O Homem que, em prol do progresso, tem desafiado as leis da natureza vê-se, de repente, confrontado com uma força esmagadora e incontrolável que o coloca numa posição inferior e submissa. Será um castigo ou, pelo contrário, uma consequência dos actos do ser humano sobre o planeta Terra?

Em Dezembro, O Tsunami fez 230 mil mortos na Ásia. Em Fevereiro, um sismo no Irão fez 612 vítimas e milhares de feridos e desalojados. Em Junho, as cheias na China obrigaram à evacuação de 2,5 milhões de pessoas. Em Agosto, o furacão Katrina destruiu toda uma cidade americana e fez 1228 mortos. Em Outubro, um sismo de alta intensidade abalou entre a Índia e o Paquistão, somando 74 mil perdas humanas. No meio de outras tragédias não referidas como as epidemias, para demonstrar que o mal não acontece só aos outros, é pertinente relembrar os incêndios que deflagraram em Portugal que, para além de ter feito vítimas humanas e animais, queimaram uma parte substancial do património florestal do país.

Ao ler este somatório de dados, a morte aparece como uma mera estatística, omitindo as outras vítimas que são as famílias, os amigos sobreviventes que também morrem um pouco com o desaparecimento de um próximo. Estarão estas calamidades naturais relacionadas com as alterações climáticas a que se tem assistido ultimamente?

Alguns cientistas alegam que as alterações climáticas são cíclicas. É muito fácil comparar determinado fenómeno climatológico ou até sismológico com os séculos anteriores. Porém, estas comparações são mais enganadoras e facciosas. É uma realidade inquestionável que o ar que respiramos é cada vez mais poluído, resultado das emissões de enxofre e da destruição da camada de ozono. Todos os países desenvolvidos e não só participam activamente em cimeiras do ambiente para mudar a forma de poluir, porque deixar simplesmente de poluir é algo de impossível e impensável. E aqui entram os egoísmos nacionais inconsequentes. Em 1997, na localidade de Quioto, mais de oitenta países assinaram um protocolo para reduzir até 2008-2012 em 5% as suas respectivas emissões de gazes que provocam o efeito de estufa. No entanto, passados todos estes anos, alguns países, dos quais os Estados Unidos, o maior poluidor, recusaram continuar com o protocolo, pois primeiro está a economia e o bem-estar actual do país e dos seus cidadãos.

Se não há prova da relação directa entre os actos poluidores do Homem e os desastres citados no princípio do texto, não há dúvida que o planeta tem sofrido modificações climáticas que se vêem a os olhos nus: Invernos rigorosos e verões muito quentes em países com clima ameno; o degelo dos glaciares dos pólos sul e norte; a escassez de água potável devido a períodos de seca prolongada são, entre outros, exemplos da insensatez de governantes e empresários que não conseguem olhar para lá do seu tempo.

Se continuar tudo na mesma, as previsões para 2025 são assustadoras. É verdade que muitos não estarão presentes para o ver, mas os filhos, netos e bisnetos não devem sofrer as consequências da irresponsabilidade actual.

Não vale a pena dar conselhos sobre os actos de reciclagem que cada um de nós deve fazer em casa. O problema já não se resolve assim. É preciso radicalismos. Queremos continuar a nossa vida como a temos ou parar para evitar que, como diz Bento XVI, “o homem da era tecnológica [corra] o risco de ser vítima da sua inteligência e dos resultados das suas capacidades inventivas”?